Durante muito tempo, o recrutamento foi guiado pela busca do chamado “candidato perfeito”: aquele que atende a 100% dos requisitos técnicos, possui todas as competências comportamentais desejadas, experiência no mesmo segmento e ainda se encaixa perfeitamente na cultura da empresa.
Na prática, essa busca tem se mostrado cada vez mais irrealista, demorada e ineficiente.
O mercado mudou. Os profissionais mudaram. E o recrutamento também precisa evoluir.
Neste cenário, surge um conceito essencial para processos seletivos mais eficientes: o “match possível” — uma abordagem mais estratégica, pragmática e alinhada à realidade do mercado atual.
O problema da busca pelo “match perfeito”
Buscar o candidato ideal parece, à primeira vista, a decisão mais segura. No entanto, esse modelo gera diversos impactos negativos:
- Processos seletivos longos, com vagas abertas por meses
- Perda de talentos qualificados, que não se encaixam em todos os critérios, mas poderiam performar muito bem
- Sobrecarga das equipes, aguardando uma contratação que nunca acontece
- Custo elevado, tanto financeiro quanto operacional
Além disso, muitos gestores acabam confundindo requisitos essenciais com desejos, criando perfis quase inalcançáveis.
O que é, afinal, o “match possível”?
O match possível não significa baixar o nível da contratação, mas sim contratar com inteligência.
É a capacidade de identificar candidatos que:
- Atendem aos requisitos críticos da função
- Possuem potencial de desenvolvimento
- Estão alinhados aos valores e à cultura da empresa
- Demonstram aprendizado rápido, adaptabilidade e atitude
Ou seja, em vez de buscar alguém “pronto”, busca-se alguém capaz de crescer junto com o negócio.
Recrutar com pragmatismo: foco no que realmente importa
Um recrutamento estratégico começa com perguntas mais objetivas:
- O que essa pessoa precisa saber no primeiro dia?
- O que pode ser desenvolvido em 30, 60 ou 90 dias?
- Quais competências são indispensáveis e quais são treináveis?
- Que tipo de comportamento gera resultado nesse time?
Ao responder essas perguntas, o processo se torna mais claro, assertivo e eficiente.
O papel da estratégia no recrutamento moderno
Recrutar com estratégia é entender que contratação é decisão de negócio, não apenas de RH.
Empresas que adotam essa visão:
- Reduzem o tempo de fechamento das vagas
- Melhoram o engajamento dos novos colaboradores
- Aumentam a taxa de retenção
- Desenvolvem talentos internamente com mais consistência
Além disso, processos bem estruturados permitem decisões mais rápidas e seguras, baseadas em dados, comportamento e potencial — e não apenas em currículos “perfeitos”.
Desenvolvimento como parte da contratação
Um ponto-chave do match possível é reconhecer que treinamento faz parte da estratégia.
Quando a empresa possui um onboarding estruturado, liderança próxima e cultura de desenvolvimento, o risco da contratação diminui significativamente.
Investir em desenvolvimento não é custo — é vantagem competitiva.
O novo papel do recrutador
Nesse contexto, o recrutador deixa de ser apenas um “avaliador de currículos” e passa a atuar como consultor estratégico, apoiando líderes na definição realista do perfil e na tomada de decisão.
É ele quem ajuda a equilibrar:
- Expectativa x realidade
- Urgência x qualidade
- Técnica x comportamento
Conclusão
Migrar do “match perfeito” para o “match possível” é um passo fundamental para empresas que desejam crescer de forma sustentável.
Mais do que encontrar o candidato ideal no papel, é preciso identificar o profissional certo para aquele momento do negócio.
Recrutar com pragmatismo e estratégia não significa abrir mão da qualidade — significa contratar melhor, mais rápido e com mais consciência.
Se você quer processos seletivos mais eficientes, humanos e alinhados ao mercado atual, talvez seja hora de rever o conceito de perfeição e focar no que realmente gera resultado: potencial, atitude e estratégia.


