Durante muito tempo, o recrutamento foi conduzido quase exclusivamente com base em competências técnicas, experiências anteriores e formação acadêmica. Embora esses fatores continuem sendo importantes, eles já não são suficientes para garantir contratações bem-sucedidas e sustentáveis.
Em um mercado cada vez mais dinâmico, competitivo e orientado por cultura, as empresas que se destacam são aquelas que vão além do currículo e passam a avaliar valores, propósito e essência dos profissionais. Afinal, habilidades podem ser desenvolvidas, mas valores e alinhamento cultural são muito mais difíceis de construir ao longo do tempo.
Por que recrutar além das habilidades técnicas?
Contratações baseadas apenas em habilidades técnicas costumam gerar problemas como:
- Alta rotatividade;
- Falta de engajamento;
- Conflitos culturais;
- Baixo senso de pertencimento;
- Dificuldade de adaptação à cultura da empresa.
Quando o profissional não se identifica com os valores, a forma de trabalho e o propósito da organização, mesmo sendo tecnicamente competente, a relação tende a se desgastar rapidamente. Por outro lado, profissionais alinhados culturalmente apresentam maior engajamento, desempenho consistente e permanecem mais tempo na empresa.
Avaliando valores: o que realmente move o profissional
Valores são os princípios que orientam decisões, comportamentos e atitudes. Eles influenciam diretamente como a pessoa lida com desafios, trabalha em equipe, recebe feedback e se posiciona diante de conflitos.
Para avaliar valores no processo seletivo, é essencial:
- Fazer perguntas comportamentais baseadas em situações reais;
- Observar atitudes, não apenas discursos;
- Analisar como o candidato reage a erros, pressão e mudanças;
- Identificar o que ele valoriza em ambientes de trabalho anteriores.
Perguntas como “O que te fez sair do último emprego?” ou “Em que tipo de empresa você não se vê trabalhando?” costumam revelar muito mais do que respostas técnicas.
Propósito: quando trabalho e significado se encontram
Propósito está relacionado ao motivo pelo qual o profissional escolheu aquela carreira, aquela empresa e aquele momento. Pessoas que enxergam sentido no que fazem tendem a ser mais resilientes, comprometidas e protagonistas da própria jornada.
Avaliar propósito significa entender:
- O que motiva o candidato além do salário;
- Quais impactos ele deseja gerar com o seu trabalho;
- Como ele enxerga crescimento e contribuição;
- Se o propósito pessoal conversa com o propósito da empresa.
Quando existe esse alinhamento, o trabalho deixa de ser apenas uma obrigação e passa a ser uma fonte de realização, o que reflete diretamente nos resultados do negócio.
Essência: quem é o profissional de verdade
A essência vai além do comportamento ensaiado da entrevista. Ela aparece nas entrelinhas: na coerência entre discurso e atitudes, na forma de se comunicar, na escuta ativa e na postura diante de perguntas difíceis.
Para acessar a essência do candidato, o recrutador precisa:
- Criar um ambiente seguro e humanizado;
- Conduzir entrevistas mais profundas e menos mecânicas;
- Utilizar dinâmicas, estudos de caso ou entrevistas por competências;
- Estar atento à autenticidade das respostas.
Processos seletivos muito engessados tendem a gerar respostas decoradas. Já processos mais humanizados favorecem conexões reais e decisões mais assertivas.
O papel do recrutador estratégico
O recrutador deixa de ser apenas um avaliador de currículos e passa a atuar como um verdadeiro parceiro estratégico do negócio. Seu papel é entender profundamente a cultura da empresa, o perfil da liderança e os desafios do time, para então encontrar profissionais que façam sentido não só para a vaga, mas para a organização como um todo.
Recrutar além das habilidades é investir em relações de longo prazo, times mais saudáveis e empresas mais fortes.
Conclusão
O futuro do recrutamento é humano, estratégico e consciente. Avaliar valores, propósito e essência não é subjetividade excessiva — é inteligência aplicada à gestão de pessoas. Empresas que entendem isso constroem equipes mais engajadas, produtivas e alinhadas com seus objetivos.
No fim das contas, não se trata apenas de preencher uma vaga, mas de escolher quem caminhará junto na construção dos resultados e da cultura da empresa.


